quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Drogados e Dominados


Droga como ferramente de dominação social
(Droga a escravidão do sec. XXI)


Libertar a mente, viajar, fazer a cabeça, dentre outras. 
Já parou para se perguntar a quem interessa o uso de drogas?
Muitos jovens acreditam que usar drogas é uma forma de se libertar da sociedade opressora. Será?
A “industria da droga”: o narcotráfico é o segundo item do comércio mundial, só sendo superado pelo tráfico de armamento, atualmente com uma cifra anual superior a US$ 500 bilhões. Sendo mais lucrativa que o comércio internacional de petróleo. 
Então a quem interessa o uso de drogas? 
Ao pequeno traficante? Ao usuário? Ou a uma grande industria, financiada por grande empresários, e mantida por governantes? Quem tem total interesse que o povo se mantenha alienado, e distante das disputas de poder, tomando a real consciência de seu papel social, de cobrar, exigir, e dirigir a sociedade?
Na Bolívia (país pobre e vizinho do Brasil) os traficantes detêm o controle das principais empresas, e de cada três bolivianos, um lucra com os derivados do narcotráfico. 
A coca já representa 75% do PIB boliviano, e de 23% de outras nações. As burguesias nacionais miraram seus investimentos na "economia do crime", dominando os recursos dos Estados e monopolizando um acúmulo de riquezas, que permitiu aos mafiosos colombianos situarem-se no ranking dos multimilionários do mundo. 
O consumo de drogas foi universalizado pelo capitalismo, diretamente associado à exclusão social, marginalidade, pobreza e desocupação. O capitalismo oferece crack, cocaína e heroína aos jovens que não pretende empregar. 
Então bem vindo ao maravilhoso mundo das drogas! 
Coloque esta coleira no pescoço e se torne mais um escravo moderno, atirado a margem da sociedade, excluído das melhores oportunidades, servindo aos interesses de burgueses opressores e governos desonestos, pois, é mais fácil escravizar através da droga uma multidão jovens alienados, e ignorantes de seus direitos, do que oferecer estudo de qualidade, emprego e oportunidades a eles. Pois uma juventude sadia, e consciente de seus direitos é muito mais difícil de ser manipulada. 
Então você ainda quer ser escravo? 

Por: Fernando Sant'Anna
Baseado em: O comércio de drogas hoje. de Osvaldo Coggiola

quarta-feira, 3 de setembro de 2014


Por Danillo FerreiraOpinião (http://abordagempolicial.com/)




Discutir qual a essência do trabalho policial é fundamental para definir suas prioridades. Falar de essência é definir o que deve permear todos os seus procedimentos, o que deve ser transversal ao seu trabalho e, consequentemente, o que deve ser prioritário para as corporações. Ao desvendar a essência, é possível encontrarmos “não essências”, ou seja, aquilo que está posto como prioritário e transversal mas que não deveria ter sido colocado nesse patamar.

Neste texto pretendo fazer o contrário. Primeiro vou apontar o que parece não ser essencial, mesmo que seja necessário e faça parte do ofício policial, para então revelar o que pode ser considerado a essência do trabalho policial.

O trabalho policial não é essencialmente “burocrático”

O termo burocracia tem um sentido técnico específico para os teóricos da Administração, mas aqui estamos nos referindo à obsessão pelos procedimentos por vezes repetitivos e desconectados com a necessidade de objetividade, pragmatismo e foco nos resultados. Há policiais que preferem se dedicar a amontoados de papéis em vez de se lançarem ao relacionamento com as pessoas, geralmente mais produtivo e eficiente.

Internamente, privilegiar a burocratização torna tudo difícil, principalmente para aqueles que ocupam os níveis hierárquicos inferiores, mais ligados à execução prática do serviço policial. Não se trata de abrir mão da segurança jurídica necessária ao trabalho policial, mas de torná-lo o mais dinâmico possível.

O trabalho policial não é essencialmente belicista

Os últimos anos têm se caracterizado pelo aumento da violência no Brasil – a quantidade de homicídios é o principal diagnóstico para essa realidade. Mas diferente de uma realidade de guerra, onde simplesmente demonstração de força bélica garante uma “vitória”, não é tão simples lidar com a violência em uma sociedade democrática. Aliás, até mesmo a guerra contemporânea contém elementos não bélicos em jogo (econômicos, político-diplomáticos etc). Se a questão fosse de demonstração de força, resultados significativos teriam sido alcançados, já que até mesmo as Forças Armadas estão entrando no jogo da segurança pública no país ultimamente.

Além do mais, qualquer policial que atua no serviço ordinário sabe que, apesar da escalada da violência, a maior parte do trabalho policial se refere à resolução de pequenos conflitos. Negociações e intervenções onde é preciso mediar interesses de partes. Desse modo, embora seja fundamental que o policial esteja preparado para situações de risco, fica claro que o belicismo não é a essência da atividade.

O trabalho policial não é essencialmente político

Também desconsiderando os diversos conceitos utilizados pela teoria política, é preciso evitar situar o trabalho policial como instrumento dos poderes políticos, no sentido eleitoreiro. Não pode ser foco da atuação policial a satisfação das vontades políticas de ocasião, em detrimento das demandas legais e sociais que são superiores a qualquer autoridade.

Nesse sentido vale a pena discutir a quantidade de orientação política na atuação policial, que geralmente é diretamente proporcional à incapacidade das polícias se mostrarem com isonomia e imparcialidade. Quanto mais afundada em politicagens, mais os profissionais policiais desconhecem a verdadeira natureza de seu ofício, pois precisam estar atentos aos sopros dos ventos do poder circunstancial.

O trabalho policial é essencialmente social

Após considerar o que não é a essência do trabalho policial, vamos à sua essência: o social. O social no sentido da construção de laços em uma comunidade, garantindo não apenas que a polícia seja bem vista pelas pessoas, mas que os policiais sejam capazes de mediar conflitos e incentivar aproximações em alternativa à violência – fruto do distanciamento, do desconhecimento, da falta de alteridade entre os indivíduos. Como representante do Estado mais presente nas redes sociais (há polícia nas ruas de todos os municípios do Brasil), é indispensável assumir essa responsabilidade que, para além da presença, garanta infiltração e construção social.

O policial é um fomentador social em uma comunidade, que tem tanto sucesso em sua missão quanto mais integração ele consegue fazer crescer. Isso é prevenir as violências. O policial de sucesso é um líder, um “hub”, uma referência para os cidadãos no seu espectro de atuação.

Embora esse artigo não pretenda discutir as carências e necessidades para que essa essência tome seu devido lugar, obviamente é preciso que tais homens e mulheres sejam valorizados, tenham direitos cidadãos garantidos e tenham a necessária segurança para atuar. Também não é preciso dizer que essa essência não elimina a necessidade de tecnologia, equipamentos (inclusive armamento), inteligência, preparo técnico-jurídico etc.

Como toda essência, essa deve ser a prioridade e a urgência para o trabalho das polícias. Quem considera esse entendimento sonhador não quer admitir o quanto temos dificuldade em sua implementação, ao tempo em que sonhamos ingenuamente, aí sim, com a repressão que ponha fim a todas as violências. Milhares de vidas e bilhões de reais gastos e, por décadas a fio, só vemos o problema se aprofundar.

fonte:http://abordagempolicial.com/

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O POLICIAL BRASILEIRO (O JOGADOR, O POLÍTICO, O POLICIAL E O PROFESSOR... BRASILEIROS de Carleial.Bernardino Mendonça)


O policial brasileiro é um dos mais mal pagos no mundo e um dos mais rejeitados profissionais. Embora exerça a mais perigosa e importante atividade social, juntamente com os seus colegas Bombeiros, o policial militar e civil, além de mal remunerados, não tem o merecido valor reconhecido  por quem ele protege e por ela arrisca, diariamente, a própria vida... A Sociedade! É o cúmulo da ignorância, injustiça e, até, de desumanidade para com os mais importantes defensores da Lei e da Ordem. É tamanha a rejeição ou menosprezo pelo policial que, a maioria das pessoas, quando se defronta com esse representante da lei, não o cumprimenta e até vira o rosto para não fitá-los. Observa-se muito isto, quando uma viatura da polícia pára no semáforo ao lado de um carro qualquer. O motorista e as pessoas do carro fingem que não vêem a viatura policial e torcem para que o sinal luminoso logo fique verde para sair de perto dos policiais. Este procedimento é motivado pelo fato de a maioria dos brasileiros ter a consciência pesada e por medo da Lei teme o confronto com a autoridade representada pelo policial ao lado. Com referência a isto, realizamos uma pesquisa de campo, durante mais de 10 anos , quando ouvimos cerca de 3.000 pessoas de diferentes idades, classes sociais e culturais. A pesquisa avaliou a honestidade dos entrevistados e se referiu à pergunta: “o que fará você se achar algo de valor na rua, principalmente dinheiro?”
Ao final, o estudo nos relatou o grau de (des) honestidade da maioria do Povo brasileiro. Apenas 2(duas) das milhares de pessoas que responderam ao questionário, afirmaram que devolveriam ao dono, ou entregaria o objeto de valor ou o dinheiro achado, à uma autoridade. Além da desonestidade espiritual, temos a desobediência Legal; tendo em vista que este comportamento é o crime denominado “Apropriar-se de coisa achada”, tipificado no artigo 169, ll, do Código Penal Brasileiro; com pena de detenção de um mês a um ano ou, multa. De tanto ver a desonestidade oficializada dos políticos e governantes, as pessoas se acostumaram com a ilegalidade, se condicionaram e imitam o comportamento desonesto. De certa forma, isto é um exemplo que nos mostra que um Povo que elege e reelege representantes corruptos... Também é corrupto.
Voltando ao Policial, verifica-se que as mesmas pessoas que não dão valor e rejeitam a autoridade policial; são as mesmas que as procuram quando se sentem ameaçadas. Como é possível rejeitar e não valorizar aqueles servidores públicos que são os únicos que arriscam as próprias vidas para nos defender e nos salvar? Quais os outros profissionais, além dos policiais e dos bombeiros que, dia e noite, mesmo estando em férias ou nas suas folgas estão dispostos a nos atender diante das inúmeras ameaças a que estamos expostos? Quantos já ficaram paralíticos e morreram combatendo aqueles que nos querem tirar os nossos bens e a nossa vida?  No País dos contrastes e da inversão dos valores e, com o advento das chamadas “Comissão de Direitos Humanos”; o policial é sempre considerado o “opressor” e, o bandido é a “vítima”. Quantas famílias de policiais mortos ou inutilizados pelos criminosos receberam a assistência material, psicológica, legal e humana dessas “Comissões”; mesmo quando em folga ou em férias nos socorrem em assaltos, roubos,crimes, agressões e desavenças familiares? Chegou-se ao ponto de atemorizar os representantes da lei, quando tem que fazer uso de suas armas para se defender e de nos defender! Parece até que querem que o policial seja primeiro ferido ou morto para poder defender-se das armas mais modernas e sofisticadas dos criminosos. O policial não pode atirar primeiro contra os terríveis e(cada vez mais) perversos criminosos; se o fizer, ele é considerado o “criminoso” e, os delinqüentes... As vítimas! E, quanto ganha o Policial para cumprir a sua perigosa missão de nos salvar e dar-nos segurança? A média salarial de um Policial em início de carreira é de R$ 2.500,00. O certo, justo e humano será pagarmos os senadores, deputados e vereadores com o salário dos policiais e agraciarmos quem tanto nos defendem, com os valores pagos mensalmente aos políticos.
Faça um pequeno esforço de memória e imagine que você acorda amedrontado com um barulho na sua casa e, amedrontado, pressente que vai ser assaltado! Quem você chamará, seja de noite, madrugada ou de dia? O político que você elegeu, o jogador que tanto você grita por ele nos jogos ou o policial que você desconhece, rejeita e paga tão mal? Pense nisso...
Além das atividades de segurança pública, proteção, dar apoio, etc., o que mais fazem os policiais? Fazem tudo, apagam fogo, prestam os primeiros socorros aos doentes e acidentados, amparam idosos e realizam com sucesso muitos partos dentro ou fora das viaturas e atende emergências de parturientes pobres dentro de suas casas, fazendo nascer novas vidas, sendo feridos e...Morrendo! 

extraido do texto:  O JOGADOR, O POLÍTICO, O POLICIAL E O PROFESSOR... BRASILEIROS de Carleial.Bernardino Mendonça

fonte:http://carleialbernardino.blogspot.com.br/

quarta-feira, 16 de julho de 2014

OAB é a favor de conciliação feita em delegacia; MP é contra

16/07/2014


A possibilidade de delegados fazerem conciliação em casos envolvendo delitos de menor potencial ofensivo gerou um longo debate na Câmara dos Deputados. Enquanto alguns representantes de classe defenderam a letigimidade da proposta, que contou inclusive com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil, outros alegaram que não cabe ao delegado esta atribuição.

O debate, de três horas de duração, foi promovido pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na manhã desta terça-feira (15/7). O Projeto de Lei 1.028/2011 prevê este tipo de conciliação, com o nome de “composição preliminar”, e só valerá para a reparação de danos civis decorrentes de crimes de menor potencial ofensivo. De acordo com o texto, uma vez aceito acordo, ele será homologado por um juiz, depois de ouvido o Ministério Público.

Segundo o relator do projeto na CCJ, deputado José Mentor (PT-SP), a finalidade do PL 1028/11 é simplificar o atendimento nos Juizados Especiais Criminais e diminuir o custo do processo criminal, para uma melhor prestação jurisdicional. O texto em análise na CCJ é o substitutivo apresentado pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR). O projeto original é do deputado João Campos (PSDB-GO).

Para o procurador da República Marcelo Paranhos, que estava representando a Procuradoria-Geral da República, a proposta é inviável. "Um acordo deve ser algo livre e o ambiente das delegacias brasileiras não oferece condições psíquicas para isso. Não é um ambiente propício ao diálogo, à formação de acordos", afirmou.

Paranhos lembrou ainda que não é preciso criar mais atribuições aos delegados que mal cumprem as suas funções atuais."A polícia já possui uma taxa de eficiência baixa. Não é necessário criar ainda mais atribuições para os delegados. É preciso, sim, investir em instituições mais vocacionadas para isso, como a Defensoria Pública e a própria advocacia", completou.

O procurador da República afirmou ainda que, ao contrário dos que defendem a aprovação do texto, o projeto não irá diminuir a demanda do Judiciário, pois não atinge as principais causas que congestionam os Juizados Especiais.
"O congestionamento dos JECs é uma realidade, mas é determinado sobretudo por demandas cíveis. A maioria são questões envolvendo pessoa física contra pessoa jurídica, principalmente prestadores de serviços. Esse projeto de lei não irá auxiliar em nada a redução deste tipo de processo, logo pouco ajudará para desafogar o judiciário", disse Paranhos.

A promotora de Justiça Alessandra Campos Morato, representante da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, reforçou a tese contrária ao projeto. Ao entrar em detalhes da lei, Alessandra afirmou que o texto é vago e causa preocupação.

"O artigo 69 do projeto não especifica que tipos de infrações o PL abrange. Fala apenas em crimes de menor potencial ofensivo. Inclusive, no parágrafo 3º deste mesmo artigo, fala sobre a possibilidade em caso de violência doméstica. Isso acaba com toda a luta da mulher. Esses detalhes mostram o risco de se levar esse projeto adiante. Esse projeto é um retrocesso ao tempo que o cidadão não tinha acesso à Justiça. Não se pode transformar o judiciário apenas em um homologador de decisões dos delegados", concluiu.

Estratégia de não judicialização
Ao rebater os argumentos apresentados contrários ao projeto, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, afirmou que o PL atende ao desejo da sociedade e está inserido na Estratégia Nacional de Não Judicialização (Enajud), lançado pelo Ministério da Justiça no último dia 2 de julho.

Ele também defendeu que seja derrubado o estigma de que delegacias são cadeias públicas. "Delegacia não deve ser confundida com cadeia. Isso de que a delegacia é um ambiente de coerção é um preconceito. A delegacia não deve ser um centro de opressão, mas sim um ambiente acolhedor", disse.

O conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil Pedro Paulo Guerra de Medeiros complementou a fala de Ribeiro dizendo que, quando foi sugerido criar delegacias para mulheres, houve essa mesma discussão sobre o ambiente. "As delegacias atuais não comportam. Mas a ideia é construir um novo modelo de delegacia para isso. Na época que se cogitou criar uma delegacia para mulheres houve esse mesmo receio, e hoje elas estão funcionando".

Exemplo do Necrim
Marcos Leôncio Ribeiro citou o Núcleo Especial Criminal (Necrim) de São Paulo como exemplo. Entre as atribuições do Necrim está a conciliação preliminar de pequenos conflitos.

O representante da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Cloves Rodrigues da Costa, apresentou dados que comprovam a eficiência do Necrim. Segundo ele, atualmente há 35 Necrims em funcionamento no estado. Somente em 2013, esses ógãos fizeram 15.671 audiências com um total 91% de acordos.

Ele explicou que o funcionamento do Necrim é diferente do atendimento prestado nas delegacias. Segundo Costa, o atendimento se dá num prédio diverso e as partes têm um tratamento diferenciado. Além disso, observou que as conciliações são feitas sempre pelos delegados na presença de um representante da OAB.

O exemplo do Necrim foi rebatido pela promotora de Justiça Alessandra Campos Morato. "Se está funcionando bem em São Paulo, sem nenhum questionamento, é porque o projeto já é legal e constitucional e, por isso, não precisa de lei para justificar sua execução", concluiu.

Participação dos advogados
Representada pelo conselheiro Pedro Paulo Guerra de Medeiros, a OAB se posicionou completamente favorável ao projeto apresentado, desde sejam feitas algumas melhorias no texto.

"A OAB acredita no projeto, mas é preciso lapidá-lo. É necessária, por exemplo, a participação de um advogado nesse processo de conciliação. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio no projeto, que atenda a todos. Além disso preciso que se especifique os crimes passíveis de conciliação pelos delegados", afirmou.

Quem também aprovou com ressalvas o projeto foi a Associação dos Magistrados Brasileiros. "É preciso fazer uma correção no projeto. A manutenção e o gerenciamento desse sistema de conciliação deve ser supervisionado pelo Judiciário", disse o presidente da AMB, João Ricardo.

Em seu entendimento, é preciso rever as formas de intervenção do Judiciário e a polícia brasileira. "É preciso uma reformulação da polícia brasileira, que deve se tornar uma instituição pacificadora, seguindo o modelo que já existe em outros países. É preciso lembar que a possibilidade de mediação pela polícia não significa impedir o acesso à Justiça. O acesso à Justiça não é apenas peticionar", explicou.

O coro a favor da aprovação do projeto foi reforçado pelo presidente da Associação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, Ernane Ribeiro Pitangui. Segundo ele, esse projeto permite aos delegados agilizar a solução dos conflitos e desafogar o judiciário.

Possibilidades limitadas
Com um posicionamento contrário, o vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, entendeu que o projeto não estimula a conciliação. "Ele tolhe as iniciativas por limitar a possiblidade aos delegados. É importante destacar que o delegado não é a pessoa ideal para dirigir uma conciliação. 

O delegado deve focar nas atribuições que já possuem. Se existe alguém que possa dirigir essa conciliação é o advogado ou o defensor público".

Representando os policiais federais, o vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais afirmou que os policiais não possuem condições de ter mais essa atribuição. "Nós não temos condições de levar os envolvido para uma delegacia. Isso aumenta a burocracia. Quanto tempo irá demorar no processo de levarmos até a delegacia, fazer a conciliação, passar pelo MP e chegar ao Judiciário para homologação? Os policiais federais não têm condições de absorver mais esta atribuição", disse.

Fonte: Revista Consultor Jurídico

copiado do site da PC.PR

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PLANO CONTRA ROUBO da Police de Interior da França

PLANO CONTRA ROUBO

O ministro do Interior, Manuel Valls, lançou um plano para lutar contra assaltos e roubos. O quartel-general da polícia é parte dessa luta que já leva ativo por vários meses. Explicações.
Plano contra o roubo de casa
Em 2012, a polícia registrou 352-600 assaltos a nível nacional, incluindo 234 mil contra o diretor ou residências secundárias e 60.000 contra o industrial, comercial ou financeira. No mesmo ano, foram notificados 5.321 roubos.
Se é uma preocupação central do Ministério do Interior, a luta contra o roubo também continua sendo uma das prioridades do prefeito da polícia.
Tal como foi reiterado pelo Prefeito da Polícia Bernard Boucault, no Conselho de Paris de 22 de Abril, o novo plano de ação implementado pela proximidade Direcção de Segurança da aglomeração Paris (DSPAP) e entrou em vigor em início de Março, aplica-se a Paris e todos os departamentos do primeiro anel, com variações locais, dependendo das metas e prioridades estabelecidas para cada departamento.
Neste contexto, a sede da polícia na primavera passada lançou uma nova campanha de comunicação sobre  bons reflexos e boas práticas para ser contra roubo  caiu como folhetos e cartazes.
A análise dos dispositivos passado mostra que para lutar eficazmente contra roubo, ações devem ser em três níveis, uma complementares e indissociáveis:
  • prevenção
  • segurança operacional e
  • monitoramento judicial.
Assim, o plano é baseado em três objetivos: o aumento do uso de vídeo-vigilância e prevenção remédio, a melhor utilização do espaço público, apoiando a ação legal e da polícia técnica e científica.

SAIBA MAIS

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Polícia constrangida

12 de maio de 2014 
 
O Estado de S.Paulo
Está em curso no País uma perigosa inversão de valores na área de segurança pública. A polícia, a quem cabe a manutenção da ordem e a repressão ao crime, tem sido tratada por formadores de opinião cada vez mais como uma entidade truculenta e criminosa, responsável pela violência contra inocentes. Essa percepção poupa os delinquentes reais, isto é, aqueles que de fato agridem a sociedade, enquanto os policiais são submetidos a diversas formas de constrangimento a seu trabalho, muito além do que determinam as leis e os manuais de conduta.

Tome-se o exemplo mais recente, a morte do bailarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, no morro Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro. Douglas provavelmente foi vítima de tiroteio entre policiais e traficantes no local. Mesmo antes de saber exatamente de onde partiu o tiro que o matou, moradores e familiares imediatamente atribuíram o crime à polícia - a mãe do rapaz chegou a dizer que ele foi torturado por policiais. Foi a senha para protestos contra a polícia, que incluíram faixas nas quais se lia "Fora, UPP" e "UPP assassina", referência às Unidades de Polícia Pacificadora, eixo da política de segurança pública no Rio.

É compreensível que, sob forte emoção, os familiares de Douglas tenham hostilizado aqueles que lhes pareceram culpados pelo crime.

No entanto, o que se viu no Rio foi a exploração grosseira da tragédia por parte dos que pretendem enfraquecer a luta do Estado contra os narcotraficantes que há décadas dominam os morros e as favelas do Rio.

Não é por outra razão, aliás, que os famigerados black blocs, contumazes baderneiros, engrossaram as manifestações. Para essa turma, lei e ordem são instrumentos de "dominação burguesa". São os sócios perfeitos da bandidagem.

Como sabe todo cidadão amante da paz social, a vida piorou nas grandes capitais brasileiras desde que esses ativistas resolveram impor sua vontade sem qualquer consideração pelos interesses coletivos, paralisando ruas e avenidas, quebrando vidraças de lojas e de agências bancárias e incendiando carros e ônibus - tudo em nome de suas utopias totalitárias.

Quando foi acionada para fazer o que dela se espera, em alguns casos a polícia cometeu alguns equívocos reprováveis, como o uso exagerado da força. Embora tenham sido pontuais, esses problemas se transformaram imediatamente em senha para que se tentasse desmoralizar todo o trabalho policial, transformando os agentes da lei em inimigos, causando embaraços ao poder público e deixando o caminho livre para a baderna travestida de "movimento social".

Formou-se então uma aliança de conveniência entre o ativismo irresponsável e o crime organizado - que ademais nadam de braçada graças a um discurso acadêmico e político irresponsável que romantiza a afronta ao Estado e que qualifica a repressão policial, por princípio, como um ataque aos pobres e à democracia.

É evidente que se deve questionar a eficácia das UPPs como política de segurança pública, em razão da reincidência da violência nos últimos tempos, assim como se deve criticar duramente a truculência policial nas ruas de São Paulo, não só durante manifestações, mas, principalmente, no dia a dia da cidade.

O descontentamento da população com o trabalho da polícia, em especial quando demonstra seu despreparo para atuar sob pressão, é legítimo e deve servir como incentivo para que o Estado reforme e aperfeiçoe a corporação. Faltam, por exemplo, instrumentos mais eficientes de controle da letalidade policial no Brasil, uma das mais altas do mundo.

Isso nada tem a ver, porém, com o exagerado descrédito das forças de segurança pública. Perguntar a quem interessa alimentar essa imagem da polícia é ocioso.

Certamente não é ao cidadão comum, que espera sair para o trabalho e voltar para casa sem ser molestado por assaltantes, assassinos e traficantes ou bloqueado por ativistas fascistoides que sequestram o espaço público e se nutrem do caos.

fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,policia-constrangida,1165459,0.htm

terça-feira, 6 de maio de 2014

Especialista fala sobre a mente dos criminosos

A analista criminal virou aliada da polícia e da Justiça na resolução de casos considerados complexos.

Desde que se interessou a estudar o que se passa na mente de assassinos, Ilana Casoy começou a acompanhar casos de grande repercussão no país, como os crimes do casal Richthofen e da menina Isabela Nardoni. Dona de um currículo invejável, a analista criminal virou aliada da polícia e da Justiça na resolução de casos considerados complexos.

Autora de quatro livros, Ilana se tornou uma das mais importantes autoridades no assunto. Em abril último ela esteve em João Pessoa e conversou com a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA. Em quase uma hora de conversa, na cobertura do hotel onde ela ficou, no Cabo Branco, Ilana disse que qualquer pessoa pode cometer um assassinato, contou detalhes dos casos que acompanhou e revelou que, mesmo depois de tantos casos, ainda perde o sono toda vez que conversa com um homicida. A entrevista completa você acompanha abaixo.



JORNAL DA PARAÍBA - Qualquer pessoa é capaz de matar?

Ilana: Sim, qualquer um pode cometer um assassinato, o que vai variar é o motivo. Por isso existe a tese da legítima defesa.

JP: Você já teve medo de ficar frente a frente com um homicida?

Ilana: Eu tremo sempre, não porque ele é um assassino, mas porque é uma situação ímpar, você está dentro de uma penitenciária, que é precária. Apesar disso não temo pela minha segurança, mas como conduzir a conversa. Tenho muito respeito por qualquer pessoa, não importa se ela matou. Eu quero ouvir e analisar várias partes de sua vida. Não quero saber do crime, porque isso está no jornal, no processo. Eu sempre tremo porque será sempre a primeira vez com aquele assassino.


JP: Em algum momento se comoveu com algum assassino?

Ilana: Todos me comovem. Quando a gente vê na televisão, a gente só vê o crime, o monstro. Mas quando passo horas conversando vejo a pessoa por trás do crime. A pessoa não é só isso, o crime é um recorte da vida dela. O assassino tem mãe, pai, tem uma família e também desgraças. Não que a história triste dele vá justificar o ato que cometeu, não é isso, mas há uma coerência entre a história e o resultado. Dificilmente alguém que provoca esse resultado tem uma história maravilhosa.

JP: Então podemos dizer que crianças e adolescentes que vivem em situação de miséria, em um lar desestruturado, estão mais propensos a cometer crimes no futuro?

Ilana: Não podemos dizer isso. Quando a pessoa já matou, você encontra esses fatores com muita facilidade: família desestruturada, miséria (nem sempre), etc. Contudo, isso não vai predizer um comportamento futuro. Temos pessoas que sofreram abandono, negligência, abuso sexual e maus tratos e que vão usar toda essa energia para o bem. Vale de trás para frente, mas não o contrário.

JP: Aqui na Paraíba temos um montante considerável de inquéritos não concluídos, problema muitas vezes atribuído a perícias mal feitas. Como você analisa essa situação?

Ilana: Vejo falhas não só na perícia, mas no sistema de Justiça. O Brasil é um dos países com os menores índices de solução de casos de homicídios, algo em torno de 10% a 12%. Na Inglaterra esse índice chega a 90%; nos Estados Unidos a 70%.

JP: Outra situação recorrente é a não preservação do local do crime. Como isso interfere na investigação?

Ilana: Esse é um dos pontos de falha, mas não é o único. A dificuldade de comunicação entre as polícias, perícia, Ministério Público, médicos legistas, juízes, advogados de defesa, psicólogos e psiquiatras é outro grande problema. Quando o caso é de grande repercussão essas partes conversam entre si e os resultados são mais eficientes, mas a regra não é essa.

JP: Você acompanhou os crimes dos Richthofen e de Isabela Nardoni. O que mais tocou você nesses casos?

Ilana: Olha, no caso Richthofen eu estava dentro da perícia, no caso Nardoni eu acompanhei pela promotoria, já na segunda fase do processo. Tudo me marcou, cada dia é diferente, não tem como eleger um momento específico, porque tudo é muito difícil.

JP: E por que esses dois casos viraram livros?

Ilana: Eu queria contar um júri, mas não tinha nada definido. Quando eu entrei no caso Richthofen imaginava que falaria sobre o júri, mas isso acabou não acontecendo. O júri de Suzane e dos irmãos Cravinhos não era bom para contar em um livro, não era bom para a literatura. 
Quando surgiu o caso Nardoni, eu pedi ao juiz para ler o processo. Passei dez dias lendo os volumes e tive convicção de que tinha sido o casal. A decisão que seria um livro veio no final de tudo.

JP: No caso Nardoni tivemos o pai e a madrasta que mataram a menina inocente, em 2008. Agora temos outro crime semelhante: do garoto Bernardo, cuja suspeita de sua morte recaiu sobre o pai e a madrasta também. Como você analisa esses casos de família?

Ilana: Na maioria dos casos de assassinatos de crianças, os primeiros suspeitos são mesmo os pais, e existe, estatisticamente, uma lógica nesse pensamento, mas é necessária a investigação. Infelizmente as crianças são agredidas principalmente dentro de casa, pela família. Esses casos ocorrem toda semana, mas apenas alguns ganham notoriedade, e eu não sei explicar isso. Às vezes falta pauta na redação e os jornalistas passam a acompanhar determinado crime, sei lá. O que sei é que os casos de família são impressionantes e causam mal-estar. São pessoas que supostamente amariam e protegeriam as crianças.

JP: A Paraíba teve nos últimos anos dois crimes de muita comoção: a chacina do Rangel, na qual sete pessoas da mesma família foram mortas pelos vizinhos a golpes de facão, e o caso do estuprador do Geisel (no qual um homem foi reconhecido por mais de 25 vítimas). Os autores desses crimes estão presos e têm comportamento exemplar, segundo a Administração Penitenciária. Podemos acreditar na mudança deles?

Ilana: Essa história todo mundo conhece. Eles são super bem comportados, é uma característica desses criminosos. Eles sabem ficar longe de problemas, têm discernimento. São manipuladores, portanto, não vão se colocar em risco lá dentro. Os criminosos mais graves, que não são doentes mentais, tendem a ser os que melhor se comportam nos presídios.

JP: E os crimes passionais, são mais fáceis de entender?

Ilana: É uma condição do momento. Não aguento a pessoa viva, nem morta. Mas a morte, nesse caso, não separa, é mais forte que um casamento, pois no crime passional os nomes dessas duas pessoas ficarão unidos para sempre.

JP: E a imprensa, ajuda ou atrapalha na investigação?

Ilana: A imprensa precisa entender a responsabilidade que tem. Acho que nenhum jornalista faz por mal, mas tem que ter essa preocupação. Acho que a imprensa e a polícia poderiam se entender melhor. É preciso encontrar o equilíbrio nessa relação.

Ilana Casoy é autora dos livros: Serial Killer: louco ou cruel?, Serial Killer made in Brasil, O Quinto Mandamento e A prova é a testemunha.

fonte:http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/125817_especialista-fala-sobre-a-mente-dos-criminosos