quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Guerra às drogas só faz bem a quem lucra com o crime.

Levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) concluiu que nos últimos três anos, o volume de presos por tráfico de entorpecentes cresceu 30%, três vezes mais do que o restante do sistema penitenciário. O comércio ilegal em nada diminuiu nesse período. Mais de uma dezena de policiais civis de São Paulo, encarregados do combate ao narcotráfico, foram presos nessa semana, suspeitos de vender informações para traficantes ligados à principal facção criminosa do Estado. O que as duas notícias revelam em conjunto é o fracasso absoluto da guerra contra as drogas, que só tem servido para contribuir e vitaminar o próprio crime. Entre os presos, um número superior a 80% é formado por microtraficantes, operários de venda a varejo do entorpecente, facilmente substituídos. O problema é que estes jovens depois de encarcerados criam vínculos que acabam por fortalecer as próprias facções. As prisões se abarrotam, a polícia se degrada, o crime organizado ganha corpo. Sem nenhuma melhora para a saúde pública, que a lei diz tutelar. Poucas políticas criminais podem se dar ao luxo de promover tamanho estrago como essa. Política que, verdade seja dita, não se esgota no Legislativo. A tônica da repressão permeia também policiais, promotores e juízes, que em parcela considerável se mostram refratários até à aplicação de benefícios expressamente previstos na lei, como por exemplo, as penas restritivas de direito. O fator criminógeno da guerra contra as drogas é tão grande que daqui a pouco será possível discutir a apologia não daqueles que lutam pela legalização, mas justamente dos que sustentam a bandeira de mais e mais repressão. A proposta de internação compulsória de viciados em crack, tida como peça de resistência da política, só foi capaz de revelar o enorme déficit para o tratamento pelo sistema de saúde. Representantes do Ministério Público chegaram a denunciar a abertura indevida de vagas em hospitais por desinternações precoces de outros pacientes psiquiátricos mais graves. Se uma pequena parte dos milionários recursos dispendidos na repressão fosse diretamente destinado à saúde, esse déficit com certeza seria bem menor. Mas a depender das disposições de governos estaduais e federal, o dinheiro só não faltará quando os tratamentos se terceirizarem, abundando recursos a entidades mais ou menos terapêuticas, a maior parte delas religiosas. É bem provável que a guerra contra as drogas também derive assim pelo caminho da privatização, como quase toda política social dos últimos tempos. A saúde pública se deteriorou há décadas, abrindo largo espaço para as seguradoras que passaram a controlar a iniciativa privada. Mecanismo não muito distinto do que aconteceu com a educação, convertida progressivamente em uma mercadoria valiosa. A indústria da segurança privada floresce com o esquartejamento progressivo das polícias e as empresas já se ouriçam para oferecer respostas à superpopulação carcerária. Não é a má gerência dos serviços públicos que abre espaço para a privatização. É a volúpia do mercado que provoca o sucateamento do Estado. Enfim, se não fosse por outros motivos, só por seu alto custo, pela ineficiência e pelo paradoxal estímulo ao que se pretende reprimir, a guerra contra as drogas deveria ser seriamente repensada no país.
Por Marcelo Semer fonte: http://www.armabranca.blogspot.com.br/

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A fragilidade emocional dos agentes federais – Onda de suicídios assusta

Em um ano, 11 agentes da PF tiraram a própria vida. Atualmente, policiais morrem mais por suicídio do que durante combate ao crime. Conheça as possíveis causas desse cenário dramático Josie Jeronimo e Izabelle Torres DRAMA Em 40 anos, 36 policiais federais perderam a vida no cumprimento da função. Um terço desse total morreu por suicídio apenas entre 2012 e 2013 Vista do lado de fora, a Polícia Federal é uma referência no combate à corrupção e ainda representa a elite de uma categoria cada vez mais imprescindível para a sociedade. Vista por dentro, a imagem é antagônica. A PF passa por sua maior crise interna já registrada desde a década de 90, quando começou a ganhar notoriedade. Os efeitos disso não estão apenas na queda abrupta do número de inquéritos realizados nos últimos anos, que caiu 26% desde 2009. Estão especialmente na triste história de quem precisou enterrar familiares policiais que usaram a arma de trabalho para tirar a própria vida. Nos últimos dez anos, 22 agentes da Polícia Federal cometeram suicídio, sendo que 11 deles aconteceram entre março de 2012 e março deste ano: quase um morto por mês. O desespero que leva o ser humano a tirar a própria vida mata mais policiais do que as operações de combate ao crime. Em 40 anos, 36 policiais perderam a vida no cumprimento da função. Para traçar o cenário de pressões e desespero que levou policiais ao suicídio, ISTOÉ conversou com parentes e colegas de trabalho dos mortos. O teor dos depoimentos converge para um ponto comum de pressão excessiva e ambiente de trabalho sem boas perspectivas de melhoria. FALTA DE ESTRUTURA Agentes trabalham amordaçados em protesto contra condições desumanas de trabalho Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) no ano passado mostrou que por trás do colete preto, do distintivo, dos óculos escuros e da mística que transformou a PF no ícone de polícia de elite existe um quatro grave. Depressão e síndrome do pânico são doenças que atingem um em cada cinco dos nove mil agentes da Polícia Federal. Em um dos itens da pesquisa, 73 policiais foram questionados sobre os motivos das licenças médicas. Nada menos do que 35% dos entrevistados responderam que os afastamentos foram decorrentes de transtornos mentais como depressão e ansiedade. “O grande problema é que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso. Acreditamos que o problema está na estrutura da própria polícia”, diz uma das pesquisadoras da UnB, a psicóloga Fernanda Duarte. O drama dos familiares dos policiais que se suicidaram está distribuído nos quatro cantos do País. A última morte registrada em 2013 ainda causa espanto nas superintendências de Roraima, onde Lúcio Mauro de Oliveira Silva, 38 anos, trabalhou entre dezembro do ano passado e março deste ano. Mauro deixou a noiva no Rio de Janeiro para iniciar sua vida de agente da PF em Pacaraima, cidade a 220 quilômetros de Boa Vista. Nos 60 dias em que trabalhou como agente da PF, usou o salário de R$ 5 mil líquidos para dar entrada em financiamento de uma casa e um carro. O sonho da nova vida acabou com um tiro na boca, na frente da noiva. Cinco meses se passaram desde a morte de Mauro e o coração de sua mãe, Olga Oliveira Silva, permanece confuso e destroçado. “A Federal sabia que ele não tinha condições de trabalhar na fronteira. Meia hora antes de morrer, ele me ligou e disse: Mainha, eu amo a senhora. Perdoa eu ter vindo pra cá sem ter me despedido”. Relatos de colegas de Mauro dão conta que ele chegou a sofrer assédio moral pela pouca produtividade, situação mais frequente do que se poderia imaginar. Como ele, cerca de 50% dos agentes federais já chegaram a relatar casos de assédio praticados por superiores hierárquicos. Essas ocorrências, aliadas a fatores genéticos, à formação de cada um e à falta de perspectivas profissionais, são tratadas por especialistas como desencadeadoras dos distúrbios mentais. “A forma como a estrutura da polícia está montada tem causado sofrimento patológico em parte dos agentes. Há dificuldades para enfrentar a organização hierárquica do trabalho. As pessoas, na maioria das vezes, sofrem de sentimentos de desgaste, inutilidade e falta de reconhecimento. Não é difícil fazer uma ligação desse cenário com as doenças mentais”, afirma Dayane Moura, advogada de três famílias de agentes que desenvolveram doenças psíquicas. Os distúrbios mentais e a ocorrência de depressão em policiais são geralmente invisíveis para a estrutura da Polícia Federal. De acordo com o Sindicato dos Policiais do Distrito Federal, há apenas cinco psicólogos para uma corporação de mais de dez mil pessoas. Não há vagas para consultas e tampouco acompanhamento dos casos. Foi nessa obscuridade que a doença do agente Fernando Spuri Lima, 34 anos, se desenvolveu. Quando foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em julho do ano passado, a Polícia Federal chegou a cogitar um caso de vingança de bicheiros, uma vez que ele tinha participado da Operação Monte Carlo. Dias depois, entretanto, descobriu-se que Spuri enfrentava uma depressão severa há meses. O pai do agente, Fernando Antunes Lima, reclama da falta de estrutura para um atendimento psicológico no departamento de polícia. “Os chefes estão esperando quantas mortes para tomar uma ação? Isso é desumano e criminoso”, diz ele. O drama de quem perdeu um familiar por suicídio não se limita aos jovens na faixa dos 30 anos. Faltavam dois anos para Ênio Seabra Sobrinho, baseado em Belo Horizonte, se aposentar do cargo de agente da Polícia Federal. Com histórico de transtorno psicológico, o policial já havia comunicado à chefia que não se sentia bem. Solicitou, formalmente, ajuda. Em resposta, a PF mandou dois agentes à sua casa para confiscar sua arma. Seabra foi então transferido para o plantão de 24 horas, quando o policial realiza funções semelhantes às de um vigia predial. A missão é considerada um castigo, pois não exige qualquer treinamento. No dia 14 de outubro de 2012, Seabra se matou, aos 49 anos. Apesar de estar perto da aposentadoria, a família recebe pensão proporcional com valor R$ 2 mil menor do que os vencimentos do agente, na ativa. Fruto de uma especial combinação de fatores negativos, internos e externos, o suicídio nunca foi uma tragédia de fácil explicação para a área médica nem para estudiosos da vida social. Lembrando que toda sociedade, em qualquer época, tem como finalidade essencial defender a vida de seus integrantes, o sociólogo Émile Durkheim (1858-1917) demonstrou que o suicídio é a expressão mais grave de fracasso de uma comunidade e que raramente pode ser explicado por uma razão única. Ainda que seja errado apontar para responsabilidades individuais, a tragédia chegou a um nível muito grande, o que cobra uma resposta de cada parcela do Estado brasileiro que convive com esse drama.
01/09/2013 por Flit Paralisante fotos: Cesar Greco / Foto arena; Adriano Machad fonte:http://flitparalisante.wordpress.com/

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Como transformar seu filho em um delinquente

1. De tudo que seu filho quiser. Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseje. 2. Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se engraçado. 3. Nunca lhe dê qualquer orientação espiritual. Espere até que ele chegue aos 21 anos, e "decida por si mesmo". 4. Trate mal a mãe dele, a xingue na frente dele, assim aprenderá que as mulheres não merecem respeito. 5. Discuta com frequência na presença dele. Assim ele aprenderá que só se consegue as coisas no grito. 6. Fique sempre do lado dele, mesmo quando ele estiver errado, contra vizinhos, professores, amigos. Afinal todos tem má vontade para com seu filhinho. 7. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê essa desculpa: "Nunca consegui dominá-lo." E coloque a culpa na escola e nas más companhias. 8. Espalhe aos quatro ventos que seu filho é o melhor, é mais inteligente que os outros, é mais bonito, é mais esperto, é um gênio." Assim ele vai acreditar nisso, e achar que esta sempre certo e os outros errados. 9. Beba e fume na frente de sue filho, demonstre seus maus hábitos e vícios na frente dele todos os dias, e se possível ainda o incentive a tomar um “trago”, pois assim vai aprender a ser homem. 10. Não o incentive a estudar, se ele tira notas baixas não de importância, afinal ele só vai na escola por causa do bolsa-família. Feito tudo isso, prepare-se para uma vida de desgostos. É sem dúvida seu mais que merecido destino! Fonte: Departamento de Polícia do Texas - USA obs: Modifiquei alguns aspectos para minha realidade.

terça-feira, 23 de julho de 2013

‘MIOPISAR’: UMA ILUSÃO DE ÉTICA POR ANTONIO JORGE FERREIRA MELO POR ANTONIO JORGE FERREIRA MELO

PUBLICADO EM: http://aqueimaroupa.com.br/


A história das sociedades humanas, dos primórdios até a atualidade, tem sido uma história de permanente intolerância. Assim, sempre houve e sempre haverá justificativas e defensores racionais para os sentimentos e as crenças que levam seres humanos a hierarquizar, segregar e inferiorizar outros seres humanos, simples e absurdamente, em função de diferenças de credo, religião, cor, origem étnica e racial, gênero, orientação sexual, etc…

Campos da Líbia, Faixa de Gaza, Ruanda, China… Todavia, não é preciso ir muito longe para encontrar sinais de profunda intolerância, pois, não podemos esquecer que o ser  intolerante, para além das manifestações de ódio subjetivas, pode  representar um ódio fundado na razão e instrumentalizado em prol do sucesso de uns, tendo como preço a marginalização e a desigualdade impostas a outros, como nos alerta Yvonne Maggie.

Nesse sentido, sou forçado a concordar que não somos o país imaginado pelo historiador Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala,  pois, apesar da miscigenação ser um fato, a democracia racial é apenas um mito: “um belo mito” como diria Caetano Veloso.

Muito embora, entre nós, o racismo tenha se desenvolvido de forma muito específica e particular, porque, mesmo não legitimado pelo Estado, sempre esteve, como ainda está, presente nas nossas práticas sociais que, com certeza, vão muito além da construção do suspeito a ser abordado em uma blitz policial.

Como nos ensinou Paulo Freire: “a paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas”. Assim, não é sem razão que a nossa Constituição coloca a discriminação racial como um crime inafiançável e os negros, índios e estudantes de escolas públicas precisam de um sistema de cotas para ter uma chance real de entrar na universidade pública.

Em termos de luta contra a intolerância racial, impossível não lembrar de Nelson Mandela, justamente pelo seu exemplo de humanismo e de sabedoria profunda que, muito acima e muito para além do patamar previsível da mediocridade e do oportunismo ideológico, em lugar de promover o revanchismo e a vindita, sem “miopisar” seu  povo, soube unir brancos, mestiços e negros, soube fazer a pedagogia da responsabilidade individual e da reconciliação nacional na pátria do “apartheid”.

Miopisar! Deixar míope, dificultar a visão, distorcer o foco. O verbo criado por Paulo Freire, inexoravelmente, me faz lembrar que não basta que se almeje um Brasil no qual ninguém seja discriminado para, num toque de mágica, zerar as desigualdades causadas por séculos de exclusão social, discriminação, preconceito e racismo. Assim, por discordar dos negacionistas do nosso racismo de atitudes, também discordo daqueles que, no afã de reescrevem a história, a fim de legitimar suas teses particulares, buscam combater o preconceito com mais preconceito, causando mais discriminação e intolerância.

Nessa lógica, coerentemente com o pensamento paulofreiriano, também  “não creio em nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças, o torna opaco e tenta miopisar as suas vítimas”.

 Na linha de Gandhi, Martin Luther King e de outros grandes líderes que marcaram e engrandeceram a história da humanidade com a convicção de que a intolerância multiplica a intolerância, estimo que o exemplo legado por Nelson Mandela ensine aos que, em seu ativismo político, lutam contra a intolerância racial neste nosso país, a necessidade de se promover um combate contra a ilusão de ética e, para tal, como alerrta Paulo Timm: “é preciso abrir, sim os olhos das pessoas, mas sempre com o cuidado de não arrancá-los!”

fonte:http://aqueimaroupa.com.br/2013/07/18/miopisar-uma-ilusao-de-etica/comment-page-1/#comment-14556

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Círculo vicioso do crime: trauma que mata

Autor: Jesseir Coelho de Alcântara

Círculo vicioso do crime: trauma que mata
Bandidos impunes, população descrente; polícia ineficiente, poucos casos chegam ao Poder Judiciário; penas brandas, criminosos soltos; denúncia fraca, justiça lenta e suspeitos livres. Esse é um círculo vicioso que vemos todos os dias e não é novidade para ninguém. Isso gera um enorme trauma para a sociedade e cria uma cicatriz na alma das vítimas numa situação calamitosa. Para milhões de brasileiros nunca termina o terror. O problema crucial é quando isso vira um ciclo.
Goiânia não escapa desse vício nefasto e registra recorde de assassinatos no ano em curso, quase todos ligados ao uso e envolvimento de drogas, apesar do esforço hercúleo das autoridades em combater.
“A situação do nosso País é alarmante: é muito baixa a elucidação dos crimes e, com isso, a impunidade se torna incentivo ao delito”, afirmou o Ministro da Justiça. Isso é extremamente preocupante, mormente partindo de um representante do governo federal. Enquanto isso, impera o clima de desobediência às leis e reina na mente dos infratores e criminosos a ideia da impunidade, que os levará a cometer mais e mais infrações e crimes.
O delito está ditando o comportamento dos brasileiros e as pessoas estão deixando de sair de casa no período noturno por temor. O medo tomou conta também dos goianienses devido ao crescimento de roubos de veículos, arrastões em estabelecimentos comerciais, homicídios e tráfico de drogas. Mapear o crime é considerado por especialistas um ponto elementar para melhor combatê-lo. A notificação dos ilícitos por parte dos ofendidos é fundamental para mapeá-los.
Uma grande questão é que o círculo aumenta porque os crimes estão na zona de conforto. Isso significa que a própria vítima colabora para o resultado. Muitas andam expostas e são atacadas quando estão nas proximidades de sua casa e estão relaxadas e despreocupadas. Algumas, porque como são usuárias de entorpecentes e não pagam a dívida da compra dos produtos, certamente sabem que pagarão o débito com a própria vida. Outras, deixam de fazer o registro de ocorrência na polícia por desacreditar que serão solucionados os crimes ou por receio de enfrentar a burocracia das delegacias e/ou exposição pública.
É preciso aprimorar e modernizar as instituições de investigação criminal, desde a polícia civil até o Poder Judiciário. Políticas públicas, como educação e conscientização, necessitam de seriedade, aplicabilidade e efetividade. De modo geral, os serviços na área de segurança pública se mostram ineficazes e ineficientes.
Assim, as curvas decrescentes dos crimes, nas estatísticas, precisam mudar de posição e  cair na prática. Entretanto, carecem de sair do papel e da verborreia e ter ações mais contundentes para solapar esse círculo vicioso do crime. Deixar de ser trauma que mata, para ser desejo cumprido, que é árvore da vida.

fonte: http://www.policiacivil.go.gov.br/artigos/circulo-vicioso-do-crime-trauma-que-mata.html

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Resenha do Filme: A Corrente do Bem.


Só pelo elenco já vale a pena ver o filme. Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos e incentivado pelo desafio do professor, cria um novo jogo, chamado "passe a diante", onde cada pessoa deve tentar ajudar em algo realmente significativo (algo que elas não possam fazer por si só) três pessoas, e cada pessoa ajudada passar a boa ação para mais três e assim por diante, criando uma “corrente do bem”. A ideia a principio parece brilhante mas nem tudo dar certo, Trevor tenta ajudar Jerry um mendigo e ex-viciado, depois seu professor Simonet (que foi vitima de um incêndio e tem rosto e corpo repleto de cicatrizes) e por fim seu amigo de escola. O viciado apesar de tentar se recuperar tem recaídas, Trevor tenta que Simonet namore sua mãe interpretada por Helen Hunt, mas o relacionamento não é fácil, e por fim Trevor tenta ajudar o coleguinha a parar de apanhar mas não consegue. Apesar da ótima ideia para um filme, o desenvolvimento é lento e enrolado, chegando a ser monótono, e cai no insistente chavão do romance, onde o namoro da mãe de Trevor e do professor viram pano principal, numa tentativa de drama. O filme é repleto de micro-dramas pessoais. Os personagens são pessoas infelizes, traumatizadas e maltratadas pela vida ou por elas mesmas. O que joga contra até a brilhante ideia do filme de se fazer o bem. Mas mesmo esta ideia não resiste a uma segunda analise, pois, fazer o bem a três pessoas e só, em ultima analise se torna algo fútil, pois, as boas ações mesmo que significativas, acabam nelas mesmas na maior parte dos casos, não gerando frutos. Como o caso em que a avó de Trevor “salva” um ladrão de ser pego pela polícia, não creio que este exemplo se enquadre em boa ação, vi mais como um ato fortuito de uma velha bêbada, querendo fazer o bem na sua visão distorcida a qualquer pessoa, sem analisar o mérito da ação. Fazer o bem a três pessoas e pronto, meio que desobriga as pessoas de outras ações, de continuar fazendo o bem, ou fazer o bem sempre. Claro que a maioria das pessoas ajudadas no filme, aos trancos e barrancos vão tentando melhorar de vida. Jerry o viciado salva uma mulher do suicídio, dizendo a ela “salve minha vida”. O filme é melhor pelas reflexões que trás, e pelo que poderia ser do que pelo que é. E quando já se esta cansado de assistir um filme que nos leva a crer em um final bobo e meloso, somos surpreendidos por uma reviravolta, o menino Trevor, morre em um acidente extremamente banal, ao tentar ajudar o amiguinho a não apanhar. O que rompe toda lógica do filme, matando o protagonista quando ele esta tentando fazer o bem a outra pessoa. Neste ponto todas as duvidas são levantadas, como por exemplo: será que vale a pena ser bom? Dentre outras tantas. Após este fato resta a tristeza da mãe de Trevor e do professor, que é claro acabam juntos, mas partilhando de uma enorme dor, e é claro desfechando com atuações brilhantes de Helen Hunt e Kevin Spacey. Fica a mensagem do menino de que o mundo mesmo que as vezes pareça uma bosta, e que pensemos que não podemos fazer nada para mudá-lo, podemos com pequenos gestos mudar a vida de alguém, pelo menos por alguns instantes. O bem deve ser feito sempre, mas ser caridoso com três pessoas, já é um bom começo.

Autor: FSantanna

terça-feira, 14 de maio de 2013

O SERVIDOR PÚBLICO POLICIAL

O Policial é antes de tudo um cidadão republicano, tem que irmanar-se com a comunidade em direitos e deveres.
O Policial é, contudo um cidadão qualificado e preparado pelo Estado, em seu contato imediato com a população, sendo ele procurado, tem a missão de ser uma espécie de “porta voz” de um conjunto de Autoridades das diversas áreas do poder. Alem disso, tem a singular permissão para o uso da força e das armas, evidente, no âmbito da Lei, o que lhe confere a natural e destacada pessoa para a construção social ou para a sua devastação. Pois sua ação ou omissão é vitrine para a sociedade que faz avaliações criteriosas, desde positivas e eficazes, como negativas e desastrosas.
O policial ao se apresentar, naquele momento está dizendo “eu represento o Estado e estou aqui para servir bem”. Para tanta responsabilidade é preciso boa formação, pois o Estado está sendo avaliado naquele momento na pessoa daquele servidor policial. Portanto, o policial deve ter orgulho em fazer parte deste contexto.
Podemos observar os certames para o ingresso nas carreiras policiais, existe uma grande concorrência, isto porque muitos querem fazer parte da Instituição Policial para poder contribuir com a paz social.
O Policial é um cidadão preparado para servir, como podemos observar na Constituição Federal (1988) a nomenclatura de funcionário público para servidor público, isto é, para servir bem a sociedade. Vamos ficar atentos aos dois princípios básicos que norteiam as boas práticas, os princípios “da oportunidade e da conveniência”, estando presente estes dois princípios, pode-se agir com certeza de que a ação será eficaz, no entanto, se faltar um desses princípios, não aja, aguarde o momento certo.
“A expressão funcionário público não é empregada na Constituição Federal de 1988, que preferiu empregar a designação "servidor público" e "agente público" para referir os trabalhadores do Estado. Agente Público é a designação mais abrangente: alcança os agentes políticos, os servidores públicos e os particulares em atuação colaboradora. Os servidores públicos são referidos como categoria de agentes públicos: são os agentes permanentes, profissionais, a serviço da Administração Pública.”
Muitos querem ser policiais, mas poucos têm o condão do Estado para representá-lo. Tenha orgulho, faça a diferença, vamos servir bem, vamos participar com eficiência na construção da paz social.

Pedagogo da Cidadania:

Existe uma dimensão pedagógica na ação policial, pois, como nas outras profissões de suporte público, antecede as próprias especialidades.
Os paradigmas contemporâneos na área da educação nos obrigam a repensar o agente educacional de forma mais abrangente, assim podemos afirmar que, hoje o policial também é um pedagogo social, conforme muito bem dizia o professor Balestreri. A luz desses paradigmas educacionais mais abrangentes, o policial é legítimo educador e essa dimensão reveste de profunda nobreza a função, quando exercida através de comportamentos e atitudes. O reconhecimento dessas “dimensões pedagógicas” é seguramente, o caminho mais rápido e eficaz para a reconquista da abalada autoestima policial.
A Polícia é, portanto, uma espécie de superego social indispensável em culturas urbanas, complexas e de interesses conflitantes, contendedora do óbvio caos que estaríamos expostos na absurda hipótese de sua inexistência. Não existe sociedade que não tenha assentamento, entre outras, no poder de polícia. Zelar, pois, diligentemente, pela segurança pública, pelo direito do cidadão de ir e vir, de não ser molestado, de não ser saqueado, de ter respeitado sua integridade física e moral, é dever da polícia, um compromisso básico dos direitos humanos que deve ser garantida ao cidadão; Por isso é que a polícia recebe desses mesmos cidadãos à autorização para o uso da força, quando necessário. “O uso da força não se confunde, contudo, com truculência”.

Ter identidade com a polícia, amar a corporação da qual participa, coisas essas desejáveis, não se podem confundir, em momento algum, com acobertar práticas abomináveis. Ao contrário, a verdadeira identidade policial exige do profissional um permanente zelo pela credibilidade e seriedade da instituição a qual participa.

Um verdadeiro policial, ciente de seu valor social, será o primeiro interessado no “expurgo” dos maus profissionais e corruptos, sabem que o lugar destes não seria na polícia, pois, além do dano social que causam, prejudicam o equilíbrio psicológico de todo o conjunto da corporação e inundam os meios de comunicação social com um marketing que denigre o esforço heróico de todos aqueles outros que cumprem corretamente sua espinhosa missão.

Para valorizar o bom policial é essencial lembrar da sua importância na construção da paz social através de seu comportamento como um verdadeiro pedagogo social.

Pesquisa/fonte: Curso de Agente de Segurança/ ACADEPOL-MG
                          Direitos Humanos – Coisas de Polícia – Autor Ricardo
                           Baletreri – SENASP-MJ.

Autor: Helio Ferreira de Lima

Delegado de Polícia
Diretor de Polícia da Capital

Articulista - Helio Ferreira
Delegado de Polícia do Estado do Tocantins, Professor de Direito Penal nas Faculdades Objetivos, Tutor de cursos da Área de Segurança Pública pela Senasp/ Ministério da Justiça, Pós- graduado em Direito Público; Docência e Gestão de Segurança Pública.

fonte: Governo do Estado do Tocantins - Secretaria da Segurança Pública